sexta-feira, 26 de abril de 2019

"Pas de Deux"


Foram apenas dois pliés
Cerraram-se minhas razões,
semente nativa
da existência
fez se a minha delicadeza, 
no tempo, contratempo, 
germinada entre 
Tendu, Jeté, Rond de jambe,
Fondu, Frappé, 
volteios em andamento
desenham o Grand Battement,
no vau da eternidade
traços

Sou eu e a dança
em adagio, allegro ardente,
O laço da paixão
em penumbra, pirouette, 
arabesque
entre todo o corpo de baile,
elevei os véus do grand jetés
que arrebataram os sentidos da órbita,
coreografia... sem saber o 
Grand finale.

"Danse pour moi quelques minutes et je te dirai qui tu es"

(Daniele)


(Daniele)





(Danse pour moi quelques minutes et je te dirai qui tu es)

terça-feira, 23 de abril de 2019

Ciclos


Há um pouco de mim em ti,

pausa dissonante,
conflito hermético,
incessante.

Tempo finito,

anoitecer, amanhecer,
intervalo no plexo,
fluir, silenciar.

Há o vão entre os ciclos,

metamorfose quase inativa,
corrompendo, encantando,
tecendo os fios,
que amparam o ser.

"Necessitamos não de Olhos .Carecemos de Alma.”...

(Daniele)


segunda-feira, 1 de abril de 2019

"Esquinas"



Dobrei a esquina
fugindo do meu olhar.

Amordacei emoções,
calei o pranto.

Segui por estradas íngremes,
deixando rastros de Solidão.

Devorei regras, prescrições,
à seco.

Cruzei pântanos,
escalei montanhas.

Fechei os olhos,
diante do medo.

Perdida em meio ao Caos,
abandonei-me,
Sombra.
Pássaro ferido,
Em céu aberto.

Acalentei meu corpo
com lençóis de pensamentos.
Pedi ao tempo guarida,
espera infrutífera, vã.

Sequei o pranto, as dúvidas, os temores,
Dobrei a esquina
e retornei a Escrita


(Daniele)

Para o Meu Amigo Poeta, Literata e Jornalista Português - ARTUR VAZ



"Vagueando"


Vagueio 
Ínvia
por entre sombras
amorfas, sem rota
nas noites gélidas
escurecidas.


Vagueio no tempo
Ínvido
das palavras indizíveis,
mirando o universo desconexo
em um abandono 
Invito


(Daniele)








"Eu, Flume"



Chego a plenitude e, agora caminho para o
nirvana de minha vida
Nada me oprime, sem paradigmas, sem freios,
sem rótulos,
pois sei que sou Rio
e como Rio, desço da montanha,
escorrego entre serras e planaltos.

Vago placidamente por entre planícies
sou córrego manso e correnteza bravia
Sou lenta e cautelosa...Sou cachoeira
Estendo tentáculos, faço afluentes
Sofro com a seca...Sofro com a enchente...
alimento gente.

Sou dadivosa...Nunca abandonei a quem
de mim precisou...Mas fui muitas vezes abandonada
por quem em minhas margens pescou
Sou perigosa...Afogo em minhas águas muitos sonhos
Arrasto com minha força esperanças.

Vagueio em direção ao mar...Ora cheio, Ora vazio.
Carrego comigo o que me coube carregar...
Chego a Plenitude...E outrora e o mar
não me entristecem. Sei que sou Rio
e como Rio, sei aonde chegar... !

(Daniele)